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segunda-feira, 1 de abril de 2013

BIG ARNOLD.



Foi Bruce Lee quem abriu as portas para que eu me interessasse por atividade física, logo a seguir foi Jackie Chan com suas proezas típicas de lutador de Kung Fu mesclado a atleta olímpico; mas minha inclusão no mundo das artes marciais foi desastrosa, entrei com o pé esquerdo, ao invés de encontrar pessoas que pudessem me ajudar a vencer meus problemas de auto-aceitação me deparei com indivíduos omissos ou arrogantes, fora que eu não tinha grana pra frequentar academia. Mas fui tomado pela febre dos exercícios corporais mesmo quando pela primeira vez vi umas fotos do Arnold Schwarzenegger. Foi ainda nos anos 70 numa revista de musculação. O fisiculturismo naquela época ainda sofria uma série de preconceitos, tais como: quem pratica é homossexual, é broxa, tem pau pequeno, é narcisista e por aí vai. Mas eu tava pouco me lixando, aqueles caras me pareciam aquelas esculturas gregas que eu tanto admirava.
No cinema eu via caras fodões como Charles Bronson e Clint Eastwood e sonhava em ser como um deles: durão, tipo, ninguém mexe comigo; mas eu era bunda mole demais. Na minha vida não faltou quem me fizesse acreditar que eu era a pior criatura na face da terra, a mais medíocre. Sem problemas, eu não tinha como provar o contrário, uma vez que eu mesmo acreditava ser um imprestável, alguém com serventia apenas como saco de pancada, mas seria um zero a esquerda com um bom porte, pelo menos. Acho que foi aos 14 anos que comecei com flexões e abdominais e nunca mais parei.
Brasília é uma cidade que propicia o condicionamento físico. Logo comecei a correr, fazer barras e paralelas. Tentei incutir o gosto por atividades esportivas em meus irmãos, bem como ensina-los a abominar coisas que eu considerava perniciosas ao corpo, como tabaco e bebida alcoólica.

No Rio de Janeiro ao praticar um pouco de boxe, vi a necessidade de aumentar a massa muscular e assim que pude comprei uns pesinhos para me exercitar. Virei um fanático pela coisa, como não podia frequentar uma academia, eu improvisava paralelas em cadeiras, levantava botijões de gás, cheios ou vazios, o que estivesse à mão, subia vários lances de escadas na maior velocidade possível tanto quantos os músculos de minhas pernas aguentassem. Quando tinha que ir a algum lugar e a distância não fosse impossível, eu ia correndo. Vivia suado.

Isto inspirado em boa parte por Arnold.


Na verdade, acabei me desviando um pouco do objetivo deste post, que era comentar sobre a biografia deste que se tornou o maior fisiculturista de todos os tempos. Como fã, um relato de sua vida, em suas próprias palavras, era algo que eu não podia deixar passar. Meu irmão me deu o livro no final do ano passado e eu o devorei em pouco tempo.
As melhores partes, claro, foram seus relatos sobre seus primeiros anos de pobreza na Áustria, sua aversão ao comunismo, sua dedicação ao fisiculturismo e sonho de tornar o esporte popular bem como ser o maior de todos na modalidade, suas aventuras como recruta no exército até sua chegada nos EUA, se tornar republicano a partir dos discursos de campanha do então candidato à presidência Richard Nixon, suas vitórias no Mister Universo e Mister Olympia. Na verdade o livro se divide em três partes, os anos como campeão de musculação, sua entrada no mundo do cinema onde ele se tornou o mais bem pago ator de filmes de ação e seu período na política como governador da Califórnia.
Tudo conquistado com muita luta. Pra se ter uma ideia o projeto de se levar Conan ao cinema levou uns cinco anos até virar realidade. Muitas vezes o livro, na maneira como é escrito, assemelha-se a um manual de auto-ajuda. Tenha objetivos, planeje, empenhe-se, conquiste. Ficou rico muito antes de se tornar ator em Hollywood, investindo no ramo imobiliário.
Arnold teve a cara de pau, eu diria, de insistir em se cercar dos melhores e aprender com eles e não se deixar abater quando as coisas pareciam não avançar. Diziam que para ser protagonista em um filme ele não serviria, tinha um físico muito grande, o nome era impronunciável, o sotaque alemão muito forte e o pior, um ator limitadíssimo. Ele se esforçou muito para suplantar essas barreiras e muitas delas usou a seu favor. Na maior parte dos relatos notei que não temos nada em comum. Ele gosta de aparecer, falar com todos quanto possa, estar ao máximo em evidência, eu não, eu prefiro a invisibilidade, a minha pessoa não importa, apenas o que sai do meu lápis.
O livro tem seus trechos maçantes como sua vida matrimonial e os meandros da política, mas tudo bem, é a vida dele e ele tinha que esmiuçar. Não se isenta de culpa, fez muita besteira por ser um boquirroto, mas faz parte da existência de todos.

Minhas sincera homenagem e agradecimento ao Arnoldão por ser um bom companheiro de jornada. Espero termos ainda muito que caminhar.





4 comentários:

  1. Bacana, Eduardo! É sempre bom conhecer os ídolos de nossos amigos...
    Eu sempre gostei de esporte, tive minha fase juvenil de admiração por fisicultutistas, mas, franzinho como sempre fui, acabei direcionando meu interesse pelo atletismo. Mas não deixo de admirar a persistência de uma pessoa que molda seu corpo e seu destino, como fêz o Arnoldão...
    Bacana a foto sua no estúdio. Têm um livro do Mucha popor ali. Estou certo?
    Grande abraço,


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  2. Salve, Gilberto.
    Olha, não sei se é impressão minha, mas pessoas ligadas as artes e ao esporte alimenta um espírito jovem, saudável tanto na mente como no físico. Parece óbvio o que digo? Não sei, hoje muito se teoriza e pouco se prova, mas eu tenho observado este fato por anos e você é uma prova disso, mesmo nosso contato tendo sido breve. Mantenha-se assim.

    Sim, tem um Mucha ali, e muitos outros mestres qua as vezes vem me socorrer quando não sei como resolver determinada coisa. Uma lida, uma espiada num detalhe de uma arte e a inspiração vem.

    Obrigado e um grande abraço.

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  3. Verdade. Acho que a arte e o esporte fazem-nos eternos jovens. Logo farei 50! Nem eu acredito. Abração,

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  4. 50, já? Não parece. Viu como eu tinha razão?
    Abração.

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