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domingo, 19 de setembro de 2010

MINHAS INFLUÊNCIAS ( RICHARD CORBEN )

São muitas as minhas influências.
Para cada tipo de expressão existem diversos artistas fantásticos. Na pintura a óleo, nas artes a lápis ou bico de pena, etc. Nos quadrinhos há um triunvirato que seve de base para minhas histórias : Corben, Wrightson e Liberatore. Os dois últimos falarei sobre eles no devido tempo, hoje o assunto é a lenda Rich Corben. Antes queria acrescentar que Will Eisner  foi aquele que me fez ter vontade de fazer quadrinhos e o considero o mestre supremo, mas sobre ele pretendo fazer uma postagem especial qualquer dia.
Conheci o Corben em 1977 nas páginas da revista kripta, uma versão nacional das famosas Creepie e Eerie da lendária Warren Magazine. Aquele traço estilizado, mas com forte tom realista por causa da técnica empregada em preto e branco, era inquietante. Pegou a minha veia cava e fiquei viciado na hora. Tentei reproduzir ( com lápis 6-B, pois desconhecia a técnica utilizada ) aqueles desenhos, as luzes e sombras, as texturas das coisas.
Jamais cheguei perto.  Então meu ser foi tomado de forma completa, quando vislumbrei as cores de Corben numa revista importada chamada 1984. Ali eu conhecia Den, seu mais famoso personagem. Não muito depois, no ano da criação da Heavy Metal americana, em suas páginas, eu me deleitaria com os desenhos e as cores de Rich numa história de Sinbad.
Nem tentei copiar. Seria inútil, nunca conseguiria, até porque a técnica de policromia usada por ele, foi revolucionária no período; consistia em fazer as páginas P/B em meio tom e  agregar as cores por um complicado método de sobreposição de overlays.


Corben é inimitável, qualquer que tenha a ousadia de faze-lo, soará sempre como uma cópia barata e de gosto duvidoso. O que ele faz, só ele pode faze-lo. Tanto é, que sua arte prescinde de assinatura. Vendo uma figura de Corben sabe-se logo que foi criada por ele. Suas mulheres, monstros, heróis, seus antropomorfos, mundos fantásticos e etc. 


Não sou teórico de arte, faço cá comigo minhas análises, para entender o caminho em que estou pisando, mas eu diria que as maiores contribuições deste americano à minha arte são :
1- Destituir a realidade em prol daquilo que melhor funcione dentro de um quadro, para que a cena realmente atinja seu objetivo.
2- Não temer a ousadia. O sexo, a nudez, o exagero na anatomia tem que ter fins bem específicos que o simples fato de chocar o público.
3- Valorizar aspectos muitas vezes esquecidos nos quadrinhos afim de valorizar mais a ação, como movimento e dobra de tecidos e texturas dos diversos objetos em cena.


Soube que Maxfield Parrish, mítico ilustrador americano da "Golden Age", foi um dos artistas que influênciaram Richard Corben. Ali percebemos que ao texturizar árvores e rochas ele bebeu muito na fonte de Parrish, bem como os pontilismos em seus desenhos a nanquim que conferem à obra um relevo peculiar.
Outro ponto que tenho em comum com Rich, é seu fraco por histórias de terror e fantasia. Não é a toa que ele tem se saido tão bem com Hellboy.
Atualmente Corben tem deixado de lado seus ousados projetos pessoais para trabalhar com quadrinhos mainstream, emprestando seu traço expressivo para personagens como Hulk, Hellblazer, Cage, Ghost Rider e tantos outros. Sorte nossa que ele, ao contrário de tantos, não se aposentou, mesmo aos 70 anos. 



2 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Belíssimas influências! Nos começo da década de 80, pousei os olhos no trabalho dele, acho que numa Heavy Metal. Foi meio rápido, mas impactante. Uma cor muito louca, uma expressividade sem igual. Tenho uma edição especial de adaptações de Edgar Allan Poe e uma das histórias, O Retrato Oval, é desenhada por ele. Nunca acompanhei o Corben muito de perto, mas olhando seus desenhos, dá pra perceber a influência. Valeu por essa postagem.
    Ótima semana,
    Abração,

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  2. Sim, a influência é mesmo nítida, não é?
    Sabe, noto na maioria dos grandes artistas brasileiros de hoje (aliás, da minha geração),que a maioria tem em Neal Adams, J. Bucema, J. Byrne, Jim Lee e etc, seus ídolos. Mas raramente vejo ecos de artistas como Corben, Vaughn Bode, Al Willianson ou Jeff Jones.
    Estes últimos possuem traços artísticos mais peculiares, na minha opinião.
    Aguarde postagens sobre outros gigantes que fizeram minha cabeça.
    Boa semana pra ti também.
    Abraços.

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