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sábado, 18 de setembro de 2010

MARCAS DA DECEPÇÃO.

Um velho conhecido de infância me disse certa vez com a arrogancia que lhe era peculiar : "Eduardo, seu problema é que você espera das pessoas o mesmo comportamento que você tem com elas." E emendou dizendo que se eu sofria se elas não atendiam às minhas expectativas a culpa era só minha. Depois destes anos todos chego a conclusão que ele estava certo.
Coisa semelhante, mas muito mais brando, me falou meu amigo Arthur Garcia, quando me enchi de expectativas em relação a uma recém-criada revista nos anos 1990 :  "Não espere muito destes editores, você pode se desapontar." Realmente.
Cerca de 22 anos atrás, uma mulher ocupou um espaço muito importante na minha existência.
Após o inevitável rompimento, convidei-a para assistir a estréia do meu irmão no coral da igreja onde éramos membros. Independente de reatar os laços ou não, era importante pra mim que ela estivesse presente num momento como aquele. Convite aceito. Eu aguardei com ansiedade pelo grande dia. Esperei e esperei. Não compareceu.
Nem um telefonema. Nem uma palavra.
No dia seguinte, preocupado, liguei pra saber a causa.
"Simplismente não tive vontade de ir. Não achei que fosse tão importante pra você."
O curioso, é que dias antes, um amigo meu (grande servo de Deus) me dissera de forma profética : "Grande será a tua decepção."
Esta historinha triste tem uma razão de ser na postagem de hoje, pois nesta semana que passou tive uma experiência parecida.
Alguns projetos artísticos para o futuro estão temporariamente cancelados. Não tenho como dar continuidade a eles.
O que me levou a desabafar sobre o assunto, foi que a análize que fiz do caso nas próprias reações do meu corpo. Ou seja, alterou até meu metabolismo. Nenhuma novidade, todos sabemos que determinadas situações provocam sudoreses, taquicardias e por aí vai, mas foi interessante notar que ao me sentir tão ínfimo, meu corpo reagiu como se eu não estivesse nele. Uma reação, talvez de proteção. Sem calor, sem frio, sem cansaço, sem apetite. Só uma especie de vazio que te engole indefinidamente.
Viver no meio de artistas, editores, jornalistas especializados e afins é viver com este "animal" sempre à espreita. Bom, deve ser assim em todos os meios.
Como Dostoiévki, sou realmente muito suscetível, mais que um corcunda, ou um anão. Mas como já disseram, a culpa por me sentir decepcionado com as pessoas deve ser minha. Sigamos em frente.

4 comentários:

  1. Fala, Eduardo! Primeiro de tudo, não desanime não. Tudo pode ser sorte ou azar; só depende do que vêm depois. Esperar demais das pessoas, em tempos atuais é uma temeridade, mas condizente com o grande sujeito e artista que você parece ser.
    Não precisamos estar entusiasmados o tempo todo, nós só precisamos saber aonde queremos chegar...
    Espero que as coisas melhorem e amanhã eu possa ver belas palavras de entusiasmo por aqui. (Desculpe, não quero parecer dogmático, pois tb me decepciono c/ as pessoas, às vezes)
    Ótimo final de semana,
    Abraço,

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  2. Valeu Gilberto, obrigado pelas palavras de incentivo. Se as coisas vão melhorar sem estar atrelado à "máquina", eu não sei, mas parado é que não pretendo ficar.
    Abração meu velho.

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  3. Meu querido e admirado amigo, eu nem posso dizer que imagino como vc esta se sentindo. Sei que nessas horas as palavras não confortam muito, mas posso te garantir o seguinte: seus amigos, seus irmãos e, principalmente, o nosso Senhor Jesus estão contigo e não te abandonam (ainda que se sinta sozinho).
    Estamos orando; as coisas vão acontecer pra nós, eu creio nisso.
    Como diria o velho Vila: fique com as consolações do Espírito Santo.

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  4. Querido Kaique, por todos os motivos que você apontou (e mais alguns), eu sei que não estou sózinho, a crise provocada pelo desapontamento durou apenas um dia ou dois após o ocorrido. É provável que minhas palavras tenham dado uma cor um tanto mais dramática ao quadro. Mas está tudo bem.
    Obrigado pelas orações e palavras de conforto.
    A recíproca é verdadeira.
    Fica na Paz.

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