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domingo, 15 de outubro de 2017

TCHAU, DOUGLAS!



O Douglas Quinta Reis se despediu de nós nesta última sexta feira. Era um dos fundadores da Devir Livraria e Editora. Foi a segunda baixa pesada sofrida pela Devir, a primeira foi em 2012, com a morte do Mauro (comento neste post: http://eduardoschloesser.blogspot.com.br/2012/02/hoje-infelizmente-nao-tem-ilustracao.html)

Eu conhecia o Douglas a mais de 20 anos, sempre nos encontrando em eventos ou lançamentos de quadrinhos da editora dele e nunca conversamos muito, os momentos eram breves e eu nunca sabia exatamente o que dizer e ele tampouco. Nosso maior tempo juntos foi em 2011, quando tivemos uma reunião na Devir para tratar da publicação de ZÉ GATÃO - MEMENTO MORI, intermediada pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Depois foram trocas de e-mails onde planejávamos a capa de um livro de sucesso na Coreia (que acabou não acontecendo).
Nos últimos tempos eu falava por telefone com ele sobre a possível publicação da biografia em quadrinhos do Edgar Allan Poe.

Ele e o Mauro, assim como muitos do mesmo período, que tornaram os quadrinhos algo mais respeitado aqui no Brasil, já são lendas do meio. Fico com uma sensação muito grande de vazio.

Abaixo uma entrevista em duas partes com o Douglas e com o Mauro feita pelo Marcelo Alencar.

Vá em paz, Douglas, até breve!


domingo, 8 de outubro de 2017

TARZAN DOS MACACOS.

Mais do mesmo, nenhuma novidade digna de nota para contar aqui, pelo menos nada que eu já não tenha citado um milhão de vezes. Minhas queixas são sempre as mesmas e já deu. Sento-me diante deste monitor e não sei exatamente o que escrever. Para manter o blog atualizado semanalmente basta um desenho, eu sei, mas gosto de falar com vocês e não sentir-me inspirado para digitar uns sentimentos não me soa bem, sei lá.

Esta semana eu fui até o centro velho de Recife - e olha, aquilo é velho mesmo! - existem trechos do local que não sei como os prédios ainda estão em pé. Parece romântico olhar para aqueles edifícios centenários (bem, se aquilo não tiver mais de cem anos, eu me dano!), todos carcomidos pela voragem do tempo e imaginar que resistem bravamente, mas o fato é que o fedor de decadência é tanto que embrulha o estômago. Fui comprar um papel peculiar para desenho e é só  encontrado em um local específico. Algumas ruas tem cheiro de merda, urina e maconha, com detritos por toda a parte. Um número assustador de pessoas deitadas nas calçadas, fedidas como o inferno, chega a dar medo. Me lembrou o centrão de São Paulo.
Outros materiais de pintura são localizados em locais bem distantes, o que me obriga a andar como um camelo. Já não sou um garotinho e cheguei em casa muito cansado, exaurido pra valer!

Bem, de posse de papeis e lápis especiais, já posso dar continuidade à série de encomendas que me fazem.


A arte de hoje me foi requisitada por um fã de Brasília (a minha cidade dos sonhos), ele é dos meus, curte muito os heróis da antigas.

Uma boa semana a todos e até a próxima, se Deus quiser. 

domingo, 1 de outubro de 2017

A ESCRAVA ISAURA (CENA 12)


Não sei quantos de vocês se lembram que escrevi aqui um texto falando sobre os livros clássicos que a editora estava devendo imprimir e finalmente haviam publicado mais uns vinte títulos. Pois bem, esta semana fiquei sabendo que houve um erro de comunicação, um engano. Na verdade eles não imprimiram vinte títulos, mas apenas três. Ainda não sei quais são, tampouco quando os terei em mãos. A bem da verdade só comunico isto por falta de assunto. Não! Me corrijo, assunto eu tenho até demais, me falta é ânimo para converter meus sentimentos em palavras. Ando bastante fatigado.
Talvez semana que vem eu esteja mais animado, quem sabe?

Fiquem aí com mais uma arte de A Escrava Isaura.


domingo, 24 de setembro de 2017

A INGRATIDÃO É UMA PUNHALADA NAS COSTAS DA ALMA.


Clima estranho; neste mês o calor já deveria estar torturando mas há uma certa umidade no ar, o dia nasce ensolarado e repentinamente uma chuva caudalosa inunda tudo, depois é sol novamente, ou acontece o contrário, a manhã chega molhada e quase sem notar surge o astro rei vingativo por não poder nos saldar com o canto dos pássaros. Não que eu esteja reclamando, sou muito mais esta brisa fresca que causa renite do que o abafamento onipresente neste lugar.
Quando vim para cá em 2003 eu imaginava ficar um ano ou dois, depois voltar a Brasília. Já se passaram 14 anos e eu continuo preso aqui. Por um tempo eu me acostumei, agora já fico desassossegado de novo.
A editora não me mandou livro para ilustrar este mês, graças a Deus tenho umas comissões para fazer e isto me ajudará a pagar algumas contas.

Acho que estou sofrendo do que chamam de "lesão por esforço repetitivo", uma dor bem chata me incomoda na altura do polegar direito e irradia para outras articulações (cotovelo e ombro).

Estou relendo AS MIL E UMA NOITES. Leio também, Tex, só para confirmar que os quadrinhos mainstream italianos são excelentes passatempos. Também dei uma lida numas HQs do mestre Richard Corben, é bom para lembrar que eu ainda tenho muito o que aprender.

Assisti a duas temporadas de AMERICAM HORROR HISTORY, a segunda e quinta, se não me engano. Foram boas, mas achei tudo muito longo, poderiam contar aquelas histórias com metade dos episódios.

Enquanto trabalho ouço uns vídeos nerds do Youtube e algum podcast. Não quero escutar música. Evito associar a beleza das melodias que tanto gosto com o atual momento.

O título da postagem será o único desabafo que faço hoje.


O rabisco da vez é o esboço para uma comissão já realizada.

Grande abraço a todos!

domingo, 17 de setembro de 2017

A DIFÍCIL ARTE DE CRIAR ARTE.

Produzir arte é algo muito complicado. Só escrevo obviedades, eu sei, mas as vezes eu paro pra pensar que ninguém dá o devido valor a um artista - falo do artista, não do homem, a maioria das pessoas idolatram o homem, como faziam com Elvis ou Michael Jackson, não exatamente o criador de arte (não sei se me faço entender bem, as vezes eu não sei colocar em palavras claras o que me vai no íntimo).
Com um clique de botão temos nossas canções preferidas em nossos ouvidos, nunca paramos para refletir sobre o difícil processo de criar uma nota, desde os primeiros acordes, a primeira letra inserida na melodia, o trabalho de burilar a música no estúdio, os arranjos dos instrumentos, a engenharia de som, a gravação final até chegar ao mercado consumidor.

Imagine o trabalho que dá produzir um filme, uma série de tv. Trabalhar com atores, técnicos,  extras e tudo o mais que é necessário para que possamos passar alguns momentos fugindo da realidade depois que fica pronto. E eu nem falo do trabalho de vender o produto e distribuir para que possa ser consumida pelo público.

Muita gente lê uma poesia e imagina que ela tenha vindo pronta na cabeça do autor, direto para o papel, nunca imagina que ele teve que suar muitas camisas para compor aqueles versos tão marcantes.

Fazer uma história em quadrinhos por menor que ela seja é um tour de force (já falei sobre isto). Não basta só saber escrever e desenhar, tem que saber narrar uma história neste veículo, criar personagens e situações que funcionem na narrativa, tem que ter timing, é necessário dar "clima" ao enredo e por aí vai e é triste saber que é tão pouco valorizado.

Claro que é uma pena quando existe todo este esforço - e dinheiro - aplicado e temos porcaria ao invés de arte, mas isto já é outro assunto.

Eu não queria mais fazer quadrinhos - não por encomenda - mas tenho feito pois preciso da grana que pagam para reforçar meu orçamento.
Estou nos estágios finais de uma historieta de crianças zumbis e o processo é um tanto tormentoso mesmo ela tendo só quatro páginas; talvez isto aconteça comigo por eu usar procedimentos um pouco mais complicados e por me cobrar tanto mesmo em algo que deveria ser simples, sei lá.


De qualquer forma, mesmo não tendo o devido valor por parte de quem consome, para mim é aquela sensação agradável depois que o produto fica pronto. A mãe se esquece de toda a dor do parto quando acolhe o rebento em seus braços. Assim é para mim cada vez que termino uma arte, seja um desenho, pintura ou HQ.

Até a próxima semana, se Deus permitir.

domingo, 10 de setembro de 2017

DEUS ME DEU A ARTE COMO UMA PORTA PARA ESCAPAR DA REALIDADE.


Toda a minha vida eu lutei contra mim mesmo. Nunca consegui me aceitar. Meu rosto, minha voz, a maneira como me comporto, me movimento, tudo para mim é insuportável. Tem sido assim desde tenra idade; quando garotinho, odiava tirar fotos, principalmente aquelas de colégio, onde colocavam uma bandeira do Brasil atrás de você e na mesa, sentado, seu nome e o nome da escola (talvez os mais antigos saibam a que me refiro). Atualmente até gosto daquelas fotografias, pena que estão em álbuns na casa materna e eu não tenha acesso a elas para postar aqui. Isto quer dizer que hoje eu mudei? Não! definitivamente, não. Mas não me importa mais. Hoje sei que não tenho como mudar meus olhos, nariz e boca, nem acrescentar mais uns centímetros à minha altura, me acostumei ao que sou. Os doutores com certeza tem uma boa explicação para o meu auto-repúdio, mas também pouco me importa, tenho cá as minhas teorias e essas também nunca tiveram sucesso em reverter o processo, então, deixa pra lá.

Digo isso tudo pra justificar o título desta postagem, é uma frase corrente na minha boca. Sem a arte eu seria menos ainda. Foi o modo que encontrei para uma melhor comunicação com o mundo. Foi a porta que Deus me deu para eu escapar das coisas que me afligem e eu dou graças a Ele por isto.

Eu não sou desses caras que veem o lado bom de tudo, eu sei que minha vida não deu certo, das coisas que um dia eu sonhei conquistar eu não atingi nem dez por cento (e olha que eu nunca fui muito ambicioso). Talvez se eu tivesse nascido em outro país, ou me mudado para onde as artes tenham mais valor, não sei. Mas não pensem que não sou grato pelas pequenas vitórias. Reconheço os méritos dos meus esforços. Minha tristeza vem da sensação de não haver mais um amanhã, de estar enxugando gelo.

Entretanto, tenho este compromisso com a arte, preciso dar sempre o meu melhor em tudo o que me vem às mãos, não importa o valor pago. Minha real recompensa chega ao olhar o trabalho pronto, me gratificando por conseguir terminar, mesmo com a eterna impressão de que ele poderia ter ficado melhor.

Dá uma satisfação legal ver o retorno de alguns amigos que me encomendam ilustrações. Como este, do meu chapa Elton Borges. Este desenho vai ficar bonito na parede dele, não acham?



domingo, 3 de setembro de 2017

SEM LUZ PARA A ARTE.


Está difícil, é tudo o que consigo dizer. Continua difícil. Mas não é possível recuar, esta não é uma opção. Eu não vivo mal, com certeza, faço até cinco refeições ao dia, durmo em uma cama confortável, tenho uma família maravilhosa, ainda consigo trabalhar com o que gosto (e sei fazer) e com bastante esforço consigo pagar as minhas contas, ainda assim ouso dizer que vocês não iam querer andar em meus sapatos nestes últimos meses. Não convém entrar em detalhes sobre o que me tira o sono mas posso adiantar que é a soma de muitas pequenas coisas. Ok, Jesus disse que no mundo teríamos muitas aflições e que devíamos confiar Nele, então é só isto que me motiva.

Este fim de semana algo em particular me aborreceu bastante, nunca comentei aqui mas a minha luminária deu pau já faz anos, como não tive recursos para consertar ou comprar outra, coloquei um lâmpada bem forte no meu estúdio e isto me serviu muito bem. Ontem a tal lâmpada não acendeu. Troquei por uma outra e também não respondeu. O problema com certeza era no interruptor. Não entendo de eletricidade, então não dei uma de esperto. Meu cunhado saca disso, ele fez a instalação da eletricidade da casa dele. Ficou de vir ma ajudar.
No escuro não é possível trabalhar. Fiz o que pude com uma prancheta de mão onde houvesse luz solar, mas não deu pra adiantar muito.
Hoje o irmão da Vera veio a tarde e tentou me ajudar. Descobrimos que há um problema com a fiação. Cabos velhos. Prédio velho. Tudo velho. Me sinto velho. Cara, que merda é isso tudo!
Bem, assim que eu receber a minha grana terei que contratar um eletricista profissional para resolver o problema. Amanhã terei que remanejar a minha prancheta para um local mais iluminado e continuar os serviços pois o show não pode parar. Mas a noite, quando produzo melhor, não será possível. Me sinto muito cansado! Faz parte. A vida é assim.

O desenho de hoje estava esquecido em meus arquivos, foi o primeiro estudo que fiz direto no pincel para o frontispício de ZÉ GATÃO - DAQUI PARA A ETERNIDADE.


Alguns fãs do meu trabalho tem feito encomendas de artes originais. Coisas bem legais, estou cuidando delas.

Uma abraço nos gatões e um cheiro nas gatinhas. Até!